Tuesday, March 23, 2010
Sem título
Ela se olhava no espelho. Eram vinte e cinco anos que estavam na frente dela. Sentia aquela cheiro de maquiagem chegando ao seu nariz enquanto deixava suas maçãs vermelhas. Não precisava de nada daquilo, se Marina não usasse nenhuma maquiagem já seria admirada por todos. Mas entraria em cena hoje e quando cantamos devemos estar com uma presença forte.
Era uma noite qualquer para a cidade carioca, mais um dia de purgatório da beleza e do caos. A rua estaria calma se não fosse pelo movimento do bar no qual Marina se apresentaria. Se não fosse o tac-tac que os passos nervosos de um homem causavam naquele chão.
Ah, era mais um dia de cantoria! As pessoas adoravam a voz de Marina e parecia que a sua voz ficava cada vez mais impressionante só porque era elogiada. Seu microfone de estimação estava no lugar, na altura certa, sua voz estava aquecida. Começaria com o violão tocando sozinho e depois cantaria sua música favorita - não sabia ao certo o motivo mas queria começar bem aquela noite.
Quando o violão berimbou a última nota de Powell, se ouviu da multidão uma voz um tanto desafinada que ousava se fazer ouvida. Muito bem ouvida. E, por uma pessoa, ela foi reconhecida. A voz começava uma música chamada Beatriz. Do seu jeito desafinado ele convidou a estática Marina a continuar o que ele jamais faria belo.
Ela tinha os olhos azuis, talvez verdes, parados. A boca trêmula. As mãos com uma vontade de tocar aquele corpo e ao mesmo tempo fugir daquele toque.
Ela continuou a música. Cantou com a voz bêbada por algo que não sabia explicar, nem ela, nem ninguém conseguiria entender.
"Se ela dança no sétimo céu. Se ela acredita que é outro país. E se ela só decora o seu papel. E se eu pudesse entrar na sua vida?"
Sabia exatamente quais eram os versos que saiam da boca dela e quais saiam da boca dele. O olhar dele não balançava. Olhava fixo, sabia que teria que aproveitar agora a oportunidade que perdeu anos atrás de falar com Marina o quanto a amava.
"Sim, me leva para sempre, Beatriz. Me ensina a não andar com os pés no chão, para sempre é sempre por um triz"
Sua voz desafinada tomou o lugar da de Marina. As luzes baixas do bar davam a impressão de que naquele momento só havia os dois ali. Os copos, pratos, garfos e facas começaram então a ganhar vida e dançar para os dois.
"Ai, diz quantos desastres têm na minha mão, diz se é perigos a gente ser feliz."
Estavam distantes, nenhum dos dois se aproximava. Nenhum dos dois conseguia dar aquele passo. Talvez por não sentir a perna, talvez por sentir muita coisa.
"Se ela um dia despencar do céu? E se os pagantes exigirem bis? E se um arcanjo passar o chapéu?"
Ele sabia que um dos arcanjos que cruzou a vida de Marina já havia lhe mostrado como um guardião pode fazer tão mal. Ele não queria fazer isso. Ele queria provar a ela que era diferente, que dessa vez ele estava ali do lado dela para dar tudo que ainda não havia admitido.
"Se eu pudesse entrar na sua vida?"
Foi assim que a música se terminou. Aquela voz desafinada, parecia tão errada de ser escutada, tão perigoso de ser escutada. Será que vale a pena? Marina não se mexia. Só seu vestido. Seu vestido ía para frente e para trás. Ela sentiu ele tocando sua perna e imaginou que poderia ser a mão dele em vez de um vestido. Isso disparou seu coração, só de imaginar o toque dele já ficava nervosa.
Foi ouvido um sussurro. Os talheres e copos estavam congelados, esperando o que acontecia. O sussurro dizia a Marina "você é aquela que faz os outros felizes". Ele se aproximava enquanto pensava no que mais dizer. Havia ensaiado tanto mas estava incomodado por algo que o fazia esquecer as palavras. Sentia o batimento de seu coração em todas as partes do corpo. Sentiu o cheiro da brisa do mar, relaxou. Sabia que mais palavras só confundiriam a boca que falava. Deixou tudo para os olhos. Estendeu a mão e ficou esperando a de Marina.
Mas a dela não se mexia. Será que havia feito algo errado? Escapou de seus lábios "confia em mim, menina. Estou aqui para te levar para conhecermos a vida. Para te levar para sempre."
Como poderia ela saber o que fazer? É injusto a vida dar decisões tão importantes a nós mesmos, por que não pode haver alguém para se preocupar tão somente com nossos caminhos? Nada fazia sentido. Marina pensou em seu passado, relembrou o cheiro dele. Como era bom. Desceu do palco sem lhe dar a mão. Cambaleou em seus saltos, nunca havia achado estar tão preparada assim para ser aquela mulher que o show lhe pedia, que a vida lhe pedia. Chegou bem junto do corpo dele a ponto de conseguir sentir o leve encostar de seus corpos. Ele não se mexia, seu braço ainda estava estagnado como há momentos atrás. Ela deixou seu nariz a guiar ao pescoço dele. Sentiu aquele cheiro. Como era bom. Seus lábios foram até bem perto da orelha dele.
- Você nunca vai me enganar?
- Só quando fingir que estou com raiva de você.
As bocas se aproximavam, já haviam feito aquilo uma vez. Pareciam guiadas por si, pareciam aflitas por aquilo, esperavam essa oportunidade há muito tempo.
Há quem pensou que foi tudo uma grande encenação de Marina, "a cantora é também atriz!" Mas desde então ele nunca deixou de estar no palco com ela. Algumas vezes, tocava um instrumento; em outras, ajustava o equipamento. Quando achavam que ela estava sozinha, ela pensava "bobos, não sabem quem está na coxia."
Thursday, February 11, 2010
É como se eu estivesse em um quarto escuro e pela fresta das cortinas entrasse um feixe de luz. Não há como não ver. Como negar.
Eclipse
No início de tudo só havia o Sol e a Lua. Não existiam as estrelas, nuvens ou outros planetas além da Terra. Então, todos os animais que viviam na Terra se admiravam com o Sol e a Lua e passarm a acompanhar suas histórias de perto.
Um certo dia, a Lua se viu muito sozinha, afinal tudo que ela conhecia estava tão distante dela, não podia nem alcançar. Muitas das vezes, não podia nem enxergar o que havia na Terra pela própria escuridão que trazia consigo. Ela se sentia mal pois aquietava os bichos e os fazia encolher de frio.
O Sol era admirado pelos animais, os aquecia, os movimentava, mas... era outro solitário. Apesar de o Sol estar tão distante da Terra, ele jogava seus raios até aqui porque acabaou se divertindo com o que via. Todos aqueles seres pequenos... juntos. Como eles conseguiam? Como seria ter alguém?
Porém, um dia foi diferente. Acaso. Coincidência. Destino.
Algo fez com que o Sol e a Lua se encontrassem. Em um universo tão espaçoso... eles se encontraram.
Os animais, que conheciam ambos, ficaram boquiabertos com o sentimento que aquele encontro trazia a eles. Era um calor que apesar de quente era refrescante ao coração. Era como se se pudesse sentir o sangue banhando todo o seu corpo.
Sol e Lua se completavam. Perfeitamente.
Dessa união fantástica inexplicavelmente surgiram figuras, adereços à Terra e ao Universo.
Planetas se aproximaram da tríade Sol, Lua e Terra. Se criaram para embelezar o momento. As várias estrelas começaram a brilhar ao entorno da Lua. Cintilavam para deixar tudo mais encantador.
As nuvens finalmente se formaram. Surgiram bichos com o que se chamou de "asas", esses animais voavam o mais alto que podiam só para ver o encontro de amor entre Sol e Lua.
Amor. Um encontro que nem o Sol, por ser bobo, e nem a Lua, por ser feminina e misteriosa, ousavam batizar com a palavra amor.
Então, criaram um nome próprio. Só para eles. Criaram uns versos só para eles. Ouviam uma melodia só para um lembrar do outro. Era tudo só para eles, só faltava um ser realmente do outro.
Enquanto isso, todo o restante do Universo apelidou aquele encontro de Eclipse.
Pena.
Por não se revelarem um ao outro, Sol e Lua acabaram se encantando por outras coisas. Aves, estrelas, planetas. Foram se deixando. Foram se desconhecendo.
Era o fim do Eclipse.
Passaram a ser poucas as vezes que os dois se encontravam. Sempre acaso. Sempre acompanhados. Aves, estrelas, planetas, esses eram os pares que traziam.
As nuvens se negavam a ver o fim daquilo. As nuvens sabiam que não havia terminado. As nuvens decidiram sempre falar à Lua sobre o Sol e ao Sol sobre a Lua.O tempo foi passando como sempre há de passar e enquanto as nuvens esperavam, foram conhecendo a tristeza. E, por não ser possível suportar a tristeza sozinho, as nuvens criaram a chuva. Agora os animais se abrigavam e se escodiam em épocas molhadas. Nesse tempo, pensavam sobre a vida, refletiam e compartilhavam a tristeza com mais frequência que outrora.
Alguns dizem que certo dia o Sol assumiu seu amor pela Lua. Era tarde demais. A Lua, sempre tão desmedidamente linda e cheia de encantos, estava embriagada por um planeta que o Sol desconhecia.
O Sol teria então retornado sepre em turnos marcados até a Terra, deixando à Lua a opção de encontrá-lo quando quisesse. Se um dia quisesse.
Em silêncio, o Sol teria feito uma prece, o desejo mais forte que se poderia fazer. O Sol desejou tudo de bom à Lua, todo o amor que ele queria dar a ela, desejou que ela algum dia o recebesse por outros braços, ainda que desacreditasse na possibilidade. Desejou também criar e fazer florescer magníficas flores de várias cores, formas e tamanhos para que a Lua as admirasse quando fosse visitar a Terra. O Sol pintava um mundo de fantasias, uma Terra do Nunca cheia de cores e imagens que esperava apresentar um dia à Lua.
A Terra espera pelo Eclipse final, pelo encontro de amor mais bonito que todos já conheceram.
Sol e Lua juntos em um momento de raro esplendor.
Friday, June 12, 2009
...
O cão, tão bobo, se distrai
Com pequenas coisas
E pede somente atenção.
Se o atencioso soubesse do perigo
De se ter um fã tão voraz
Como o cachorro,
Talvez negasse o carinho corriqueiro.
O cão, tão bobo, se leva
Pela mão que o acaricia
Sem planejar a Sorte por vir.
Se entrega ao prazer fugaz
De um cheiro bom e
Se o agradam com o diferente,
Como comida de verdade,
O cachorro pula e late de felicidade.
O cão, tão bobo, não tem a malícia
Do gato!
Mal chega um atencioso novo
E ele dispõe sua barriga.
Afagos e mais afagos.
O cachorro foi logo comprado.
Mas, no fundo,
O cão sabe que aquilo é só um flerte.
Sabe que a visita se vai.
E retorna ao amor pelo seu dono.
O cão, tão bobo, se interessa
Pelo dono até quando ele o despreza.
Busca carinho, atenção.
E fica ao lado esperando ser notado de novo.
O cão, tão bobo,
Corre atrás do próprio rabo.
Mas o que pode ele fazer
Se o rabo faz parte dele?
Quem explica?...
E antes que tudo se queime, eu busco nessa casa antiga os retratos que eu tenho,
As fotos que irão calar tudo que vem me atacar.
E por mais que eu tente não consigo perder a chave dessa porta.
Então, me diz como você conseguiu mudar as minhas coisas de lugar,
Esse era meu lugar e ninguém mexia nele.
Me diz como você conseguiu conhecer tantos armários e gavetas.
E meu cobertor ainda está com o cheiro do perfume que eu te dei.
E meu casaco ainda guarda o bilhete de amor que você me deu.
E minha sorte ainda guarda o brilho dos olhos teus.
E minha calma ainda ainda vive pelos teus sussurros ao pé do meu ouvido.
Mas esse era o meu lugar e falta alguma coisa.
Essa parede não era assim.
Esse vaso não é daqui e essa flor está murcha.
Falta alguma coisa por aqui.
Por que você não está aqui?
Eu sou você e teu corpo respira pelo meu;
É meu o teu sangue e é seu o meu destempero;
É minha a tua boca e é seu o meu peito.
Essa casa antes era só minha
E agora que ela é tua também
Você partiu.
Mas se a cruz que você carrega é pesada,
Eu te levanto e resguardo, mesmo assim.
Thursday, December 11, 2008
Sangue
A noiva havia casado mais uma vez
Mas dessa vez...
Que marido!
Era terno, doce, a afagava...
Nunca houvera homem para ela como aquele.
Prometera tudo,
Como todo apaixonado,
E trazia flores de vários tons,
Flores de vário tipos,
Todas com um mesmo cheiro.
Que perfume!
Ah! que perfume!
Por que, Deus, todo convívio é imperfeito?
Logo, veio o tempo e a exigência,
Quer-se sempre mais...
E, aquele marido
Talvez não pudesse, talvez não queresse,
Dar mais e mais...
Talvez, quisesse ele mais calma.
Mas vieram as birras
Os bicos
As manhas...
O homem se refugiava em amigos.
Tantos ombros estavam ao seu redor
Que não sabia em qual chorar
Só sabia que todos! estavam lá
Mas veio o tapa
Queimava-lhe o rosto e ardia e ardia e fervia
Buscou abrigo daquela briga em si
E, quando viu de novo a realidade,
Seu amigo deitava com sua noiva...
A fazia dele e acariciava seu sexo
Com metal frio, que ela,
De olhos fechados,
Só veria mais tarde.
E veio a angústia
E veio o medo
O céu era desvirginado
O chão ardia em brasas
A mulher, sentada em casa
As pilastras caiam em Dó grave
O sangue escorria do peito
A mulher, sentada em casa
Monday, November 26, 2007
Tempo...
Alguém que se foi cedo demais... Demais...
Para ele que me fez tudo que sou...
Para ele que me fez tudo que sou...
Beijos maninho.
Sem Nome
"o sândalo perfuma o machado que o feriu"
(...)
Olha, olha só o sol,
Ele está brillhando tanto hoje.
E o cachorro que passa correndo,
A criança que passa sorrindo...
Olha, olha lá,
O carrinho na mão do bebê,
A cabeça raspada,
O choro da mãe...
E a nossa esperança
Por aqui anda tão fraca...
Descobri, quando cresci,
Que todos têm medo,
E eu agora não
Tenho mais medo
De ter medo
Pela tua ausência...
Tá bom,
Eu aprendi a mentir.
Mas quer saber,
Eu sei que, de verdade,
Você está bem aqui,
Do meu lado, dentro de mim...
Monday, November 19, 2007
A tarde acabada, a noite se pendura,
O vento bate, a palavra ecooa,
A ferida arde, o tempo passa,
O mar sobe, o Sol vai para longe.
O eclipse acabou,
Todos voltam ao normal.
Só mais uma aventura,
Uma marca. Quem sentiu não esquece.
O Sol irradia como sempre...
Quem, afinal, pode ver a diferença?
Quem pode ver que ele não brilha mais por amor?
A Lua, de longe, não vê o Sol.
Está feliz, mesmo longe dele,
Ao redor de suas estrelas.
Saturday, June 16, 2007
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigoNunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida...
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?”
Com Cheiro De Flores
Estou em um campo de concentração.
Pessoas batem as cabeças agora.
É hora do almoço.
Nenhum pai, avó, irmã me chama.
Nenhum amigo faz meu corpo ter força agora.
Pessoas batem as cabeças.
Estou sentada no vil e disforme colchão
Olhando tua foto, meu precioso bem.
Repouso feliz em teus sonhos esta noite.
Chegam roupas novas de tempos em tempos,
Mário, Luís, João, Clementina, Carlos.
Que pena.
Sonho com tua boca; mesmo com olhos abertos
Me vem a cabeça como estarão teus bracinhos.
Gorduchos olhinhos brilhantes, cheios de esperança.
Vai ter um mundo a tua frente para conquistar.
Quando voltar eu comprarei lindos vestidos,
Quando voltar dançaremos juntas no parque,
Quando voltar eu sorrirei bem ao teu lado,
Quando voltar eu terei teus olhos enfim.
Contudo as noites não morrerão,
Sonhos quando vêm, não se vão;
Passam por qualquer barreira,
Até mesmo a humilhação.
Com todo esse espetáculo, minha cabeça
Embriaga-se de poesia de novo.
Mas sei que ergueremos no patamar nossas
Paredes sólidas, sem gravatas marcadas.
O sinal tocou, acabou o almoço.
Acho que demorei demais para cortar tão certinho
As últimas linhas, só por tentar desenhar.
Agora vamos tomar banho,
Mas logo voltarei para terminar...
Menina, agora quem fala é uma grande amiga: Joana.
Sua mãe não voltou do banho, ao invés de água, hoje foi gás. Mas saiba que ela estará sempre presente.
Não se preocupe. Não sei fazer nada como isso para terminar com minhas palavras o que não comecei. Mas, como amiga, envio-lhe a última lembrança. Boa sorte na vida, pequenina. Espero que seja tão linda assim e que nunca deixe seus sonhos morrerem pelo medo do fracasso.
De tua mãe e uma amiga que nunca conhecerá.
Viva!
Sunday, June 10, 2007
Mas ‘você e eu’ já é tão grande,
Tudo já é tão nosso.
Tanta coisa que eu não fiquei esperando passar...
E por entre os cercados as flores crescem
Sem o mal do tempo,
Sem a clareza do sol
Nem a pressa das pessoas.
E qual o sentido de qualquer palavra
Se não apenas ser melhor quando não dita,
Já que tudo que falas é o que sentes?
Ai, ai...
Ai, meu Pai...
Dai-me a paz...
Na noite serena, brotar frutos de laranjeira.
Quando no nosso olhar, brilhará a prata da semente,
Cheia de vida, cheia de morte.
E tudo passa a ser de verdade,
Sem rimas para suportar qualquer beleza,
Sem descaso para sufocar qualquer insanidade de felicidade.
Liberdade. Sem abrir os olhos
Vi seu sorriso. Como que naquele momento de sofrimento.
Então tira o que pode,
Leva o que me prende,
Ai, ai...
Ai, meu Pai...
Dai-me a paz...
Nem todo tempo é tão curto,
E 'pra sempre' pode existir...
Gosto de romãs, sabor de fruta melada cheia de caldo
Escorrendo pelos dentes, mas nada se perde
Na mesma noite serena que irriga nossos pecados
Ai, ai...
Ai, meu Pai...
Dai-me a paz...
Eu quero saber se posso domar o mundo
E desafiar o tempo com minha espada de madeira;
Rebater os medos com socos e garras.
Eu quero saber quantas vezes mais direi adeus,
Por quanto tempo vou ficar chorando,
E até, se vai doer muito quando eu tiver de lhes dizer adeus.
Eu quero saber se você vai um dia reparar no meu peito.
Nesse corte aberto que ficou preenchido com pó
De estrelas que abriram meu céu e o rasgaram em dois.
Eu quero saber dessas pessoas que vagam entre minha vida.
E quantas vezes mais vou acabar por machucá-las?
E até quando elas vão conseguir me escutar?
Eu quero saber dos transeuntes que se esbarram
E não vêem a cidade ao seu redor, poderei ajuda-los?
Mundo de hipocrisia coberto de agnosis.
Quando, quando eu vou ter de fato uma verdade sobre tudo?
Como eu posso ter certeza do que faço?
Será que estou todo contido em uma célula?
Por quantos universos estou presente e como pode
O passado o presente e o futuro estarem acontecendo ao mesmo tempo?
Quem sou eu? Quem sou eu?
Eu só quero saber se um dia vou conseguir te ter
Em meus braços para que não me preocupe mais
Com perguntas que não acharei respostas;
Para que possa seguir com calma meu mal traçado rumo.
Se um dia achei que andariam separados e paralelos tais sonhos,
Agora acredito que são incapazes de se soltarem.
Porque a paixão se entrelaça com os desejos desapropriados de um coração
E faz mover a roda gigante que gira, gira, gira...
Gira mundo, gira tudo, tudo...
Thursday, April 05, 2007
Mundo meu
Vagando por entre o beco da monotonia
Divaga-se sobre o céu e o inferno,
O caos e a borboleta.
Pobre borboleta.
Culpada por tanta tristeza.
Pobre dessa tal borboleta.
E a filosofia encontra um canto,
Junto com um pouco de poesia,
Um calibre de álcool,
Uma dose de ar,
Um mentor ausente.
E a noite vai conjugando o pensamento.
Mundo da lua.
Cheio de paz e tranquilidade,
Agora vive dominado pelos cosmonautas,
Lixos e governos.
Mundo da rua.
Cheio de esquinas e bares com alegrias e romances,
Agora vive infestado de solidão,
Dor e bobagem.
Vivo no espaço ou vivo na Terra?
Vivo no meu mundo
Pra conseguir escapar de tanta miséria.
Até que se dane essa tal de miséria,
Prefiro aproveitar o colo do sonho.
Porque entre a consciência e o
Desespero insano caótico,
A linha é tênue.
Thursday, March 22, 2007
"Platus" "Plutus" "Guerra"
Dou esse aviso só porque tiveram diversas pessoas que falaram que vêm aqui mas não postam. Então, para não perder audiência, deixo o comunicado.
=)
Por hoje tento ser breve:
Mate toda sua opinião, destrua tudo o que você pensa. Não porque está errado, ou mesmo porque não me convém, mas sim para que você aprenda, de verdade, a pensar! Pensar não é enxergar a faceta do problema, é dissecar o mistério e observar cada detalhe e funcionamento. E, somente assim, poderemos achar uma opinião. Ou melhor, diversas opiniões. Mas quem disse que todos temos que convergir para um mesmo pensamento?...
Pensemos e amemos. Nunca amemos somente. Nunca pensemos somente. Senão, não viveremos!
Friday, March 16, 2007
Mãe, mãe! Salva-me!!
E quem será a viúva
que se absterá da herança?
E quem será a família
que se absterá do seguro?
E quem será o filho
que se absterá da outra casa?
Bendita é a mãe
que perdoa o assassino!
Bendita é a mãe
que chora sem dinheiro!
Bendita é a mãe
que enterra o filho!
Friday, March 02, 2007
Pombow!
Esse poema e o do post logo embaixo.
Esse é dedicado para todas as crianças bem nutridas que nossas novelas mostram!
Criança Crescida Sem Crescer
Bonito é tua mão calejada
Bonito é tua alma cansada
Bonito é teu olho com água
Bonito é tua cara queimada
Bonito é teu pouco escola e muito vida
Bonito é tua força
Bonito é teu sorriso
Porque és puro sendo criança
Porque és inocente de todo pecado que venha a cometer
Porque és inocente de todo pecado que te cometeram
Porque és singelo no ter e senhor do viver
Porque és tão coitado quanto admirado
Porque és discriminado e não pede para pagarem o pecado
Porque és marcado com ferro quente
Porque és injustiçado
Mas nunca fracassado!
Inércia
Acorda, Dona Maria!
Sr. Borges tá por aí
E a senhora no cafofo com o fogão,
Tudo enferrujado e quebrado!
Ensinando clemência pras tuas crianças.
E se elas virem que Deus não quer esse mal?
Acorda, Dona Maria!
Acorda que toda essa dor e sofrimento,
Que tá voltando, logo vai acabar!
Acorda, Dona Maria!
Não se faz de humilde e seja hipócrita,
Pensa nessas crianças.
Pensa nas batalhas do apssado que você já ganhou.
Por que você foi se dar assim?
Acorda, Dona Maria!
Acorda e luta do nosso lado.
Acorda que essa juventude vai crescer e mudar!
Acorda!
Acorda!
A corda...
A corda.
A corda!
Eu dou a corda.
E agora, como fica,
"Seu" Borges?!
Wednesday, February 21, 2007
Rapidinhas
E se abriga no cômodo que
O conforta.
Porque o único abrigo de quem pensa é o cansaço
Que retoma o sono
Trazendo o sonho.
Verità
E brinco de sorrir e de chorar
E brinco com você
E te frusto
E te preocupo
E me desculpo.
Perdoa minha insensibilidade.
Perdoa, nunca vou te amar.
Mas é tão gostoso só fingir,
Só brincar.
Monday, February 05, 2007
Wave Goodbye
Consegui fazer algo cíclico?...
Escolho Não Ter Amor
, por isso é melhor não ter.
Afinal, quando temos, podemos perder...
Quando temos tanto, sempre e com tal zelo,
Ao perder, sentimos mais...
Portanto, prefiro, e escolho, não ter.
Escolho não querer ter amor,
Assim, e somente assim, não sentirei dor.
Sim, eu sei, mas pelo menos
Sem sentir prazer não vou mais doer
Friday, February 02, 2007
Take My Hand
Que Paz?!
Mas ‘você e eu’ já é tão grande,
Tudo já é tão nosso.
Tanta coisa que eu não fiquei esperando passar...
E por entre os cercados as flores crescem
Sem o mal do tempo,
Sem a clareza do sol
Nem a pressa das pessoas.
E qual o sentido de qualquer palavra
Se não apenas ser melhor quando não dita,
Já que tudo que falas é o que sentes?
Ai, ai...
Ai, meu Pai...
Dai-me a paz...
Na noite serena, brotar frutos de laranjeira.
Quando no nosso olhar, brilhará a prata da semente,
Cheia de vida, cheia de morte.
E tudo passa a ser de verdade,
Sem rimas para suportar qualquer beleza,
Sem descaso para sufocar qualquer insanidade de felicidade.
Liberdade. Sem abrir os olhos
Vi seu sorriso. Como que naquele momento de sofrimento.
Então tira o que pode,
Leva o que me prende,
Ai, ai...
Ai, meu Pai...
Dai-me a paz...
Nem todo tempo é tão curto,
E 'pra sempre' pode existir...
Gosto de romãs, sabor de fruta melada cheia de caldo
Escorrendo pelos dentes, mas nada se perde
Na mesma noite serena que irriga nossos pecados
Ai, ai...
Ai, meu Pai...
Dai-me a paz...
Thursday, February 01, 2007
Just leave me alone, ok?!
Um Amor Que Esprema Espinhas
Quero um amor que esprema minhas espinhas,
Que me dê carinho de dia
E zele por mim todas as noites,
Entenda que não sou o mesmo da noite passada
E não se assuste com minhas vontades,
Saiba me amar, mesmo sem
Ter certeza do caminho,
E mesmo assim, se mantenha minha,
Respeitando minha hipocrisia que não consigo te contar.
Um amor que veja o calo que eu tenho no dedo,
Que perceba a mania que tenho com minhas unhas,
O lado para o qual meu sorriso desponta quando abre
E o jeito de me fazer sorrir a qualquer hora...
Quero um amor que esprema espinhas.