Sunday, August 26, 2012

Se Você Soubesse


Um bom reencontro é como se fosse uma daquelas pipocas que a gente compra pra ir no cinema. Podem até ter várias pessoas no grupo que está indo no cinema, mas é uma em especial que fica realmente curtindo comer aquele crect-creck e antes que o filme termine, aquele saco (gigante) de pipocas, que nós pensávamos que não caberia dentro de ninguém, já está completamente vazio.

E nós ficamos pensando em quão maravilhoso tudo aquilo foi, o cinema, a pipoca... Mas, puxa, eu deveria ter falado mais, deveria ter contado mais histórias, deveria ter ouvido mais momentos. E o que mais fica na minha cabeça é que eu deveria ter contado em quantas histórias aquela pessoa já esteve e quantos são os amigos que já conhecem um pedaço daquela alma, sem conhecer uma fração da pessoa.

A noite acaba e eu fico com aquela cara de tonto, um cachorro bobo. É um tipo de felicidade gostosa, que dá gostinho de “quero mais”, mas como falar sobre uma saudade e uma vontade de estar junto que surgem assim tão de repente? É bom sorrir por dentro.

Tuesday, August 14, 2012

Cotidianos


Sentada nos degraus de sua casa, olhava para o chão de paralelepípedos que encostava nos pés descalços das crianças que se escondiam e contavam. O chão, que engraçado, estava tão perto e, ainda assim, tocava o horizonte. Afinal, onde daria se ela fosse reto naquela direção? Após desviar de inúmeras paredes, haveria alguma hora uma porta na qual ela poderia bater?
Mas no meio disso, os pequenos estalidos de muitos pés se juntaram, como se para que ela despertasse e percebesse que outros pés maiores já se afilavam perto do poste. E, sem olhar para seu pulso, que só mostraria cores, pôs-se de pé e somou-se com aqueles outros.
O ônibus não tardou em se atrasar e, como de costume, provocou ligações e desculpas, ouvidas pela vontade que ela tinha de imaginar a vida das outras pessoas. A culpa era das rugas. As rugas falavam muito. Cada uma tinha tido seu momento de brilho, de ir e voltar e ir voltar. Ora, as rugas mereciam ser ouvidas. Ela, coitada, ansiava por rugas, mas não tinha pressa para que surgissem.
Chegara ainda adiantada para sessão de cinema e, como se esperasse um namorado, a menina, sozinha, se sentou e esperou que as portas se abrissem. Enquanto pulava de rosto em rosto, foi pega de surpresa por um rosto que a visão reconhecia menos que o tato. Ele, de longe, também a viu e, com sua alma encadarçada, pediu licença à sua mão e se aproximou do banco.
Ela se levantou e o cumprimentou e o abraçou. Diferente. Eles não falaram muito, somente o suficiente para que os corações balançassem. Oi. Tudo bem... Cresceram como um só e agora eram dois. Despediram-se e cada um foi para sua sessão.
Ela sentou finalmente em sua G12 e não pode deixar de pensar em como o mundo era engraçado. Não conseguimos entender realmente nada dos nossos caminhos. Entre músicas e danças, ela respirava fundo e tentava valsar com seus pensamentos. Mas precisava jogar uma água no rosto.
Enquanto levantava o rosto molhado, percebeu uma pequenina ruga no canto de seu olho esquerdo. Riu. Riu e secou o rosto. Encarou-se de novo, admirada com aquilo. O balanço.
Antecipou sua volta para casa e, ao descer do ônibus, traçou a reta e desviou-se das paredes. Logo, chegou num botequim, que já era seu de costume, e acenou para os conhecidos.
Pegou o caminho de volta. Sentiu o travesseiro em seu rosto e sorriu mais uma vez.

Tuesday, August 07, 2012

Over and over again

Eu sei que o que eu sinto é verdadeiro porque mesmo que perdesse meus olhos, me apaixonaria de novo por você a cada dia que sentisse sua voz.

Monday, July 23, 2012

O que se leva?

Fazia tempo que não se via uma cena daquelas, poucos eram os velhos do bairro que haviam vivido tempo suficiente para ver uma praia com neve, aparentemente, eu não seria um deles amanhã. A janela foi ficando alta e logo eu era um bebê, que estica a mão em busca do que deseja, pobre bebê, que não tem a noção de profundidade. Como um bebê, senti os adultos vindo a mim, correndo alvoroçados e desconcertados com aquela vida que começava. O céu era branco acinzentado e o vento não era um daqueles ventos bobos, aqueles ventos de verão que vão passando por você e deixam mais calor do que brisa nos corpos, ele era um vento crescido e brincalhão, que empurrava e gelava e fechava casacos, braços e abraços. De qualquer forma, o que eu respirava não era gelado, era quente e, apesar disso, angustiante, era tudo muito rápido, muitos toques, muitas coisas, alguma dor e uma pressão no meu rosto, mas uma pressão que não vencia a preguiça que sentia. Era de um lado para o outro, para frente e para trás. Senti-me trabalhando, fazendo os meus testes e torcendo para que eles me mostrassem algo novo, inacreditável. Mas testar a inércia era muito tolo, jamais permitiria que alguém propusesse uma desvaria dessas no meu laboratório. Aqui, não é lugar para brincadeiras, apesar de nunca ter abnegado a diversão. O que será que faltou? Lá estava eu, nunca ganhara um só Nobel, mas era o centro das atenções. Acho que foi algo logo abaixo do meu nariz que me fez saber disso, que venceu a preguiça que eu sentia. Tantas luzes, aquilo era muito sugestivo, e quando as apagaram não pude deixar de notar mais uma vez que a dor logo abaixo do nariz ressurgiu, mas não era tanta assim, então decidi ignorar. O problema é que eu não gostava de escuro, nunca gostei, nunca fui desses que falavam não ter medo. Sempre dormi com a televisão ligada – a luz, minha segurança, o som, minha companhia, o “timer”, minha consciência ambiental. Tudo bem, melhor acender a luz, então. Quantas pessoas. Como eram altas. Extremamente desconfortável. Queria tossir e não conseguia, queria água e não conseguia. Desisti disso tudo e decidi, por fim, fazer o que me restava: cantar. Mas não conseguia. Como nunca soube, pensei que seria melhor assim, sem sair som, pude explorar ao máximo minhas cordas vocais. Acordei. Estava na frente de um bocado de gente, conversaram comigo, me explicaram algumas coisas e, por fim, me deixaram falar. Acho que forcei demais minhas cordas vocais, pois agora elas estavam doídas e não funcionavam nem para falar. Quando pude voltar para casa, me sentia como um bebê. Uma criança entre tantos zelos. Quem me dera, poder mais uma vez fazer com que as fadas fossem criadas, mas agora só me restava a tarefa de não as matar com as blasfêmias que me inundam. Pena que não pude aproveitar a bela vista da praia, porém, quando cheguei em casa, vi janelas cheias de água, uma visão que fazia sentir beleza e tristeza ao mesmo tempo, no mesmo corpo. Pelo menos, pude dizer que não era maluco. Não era arrependido. Era orgulhoso, calmo, ainda que ansioso e nervoso, e cheio de paz.

Sunday, February 05, 2012

My biggest wish

"Eu quero mesmo é alguém que me faça mudar completamente de opinião. Que faça meu corpo querer companhia nos momentos em que minha mente insiste pela solidão."
Caio Fernando Abreu.


Because I need a hug
I just wish someone to grab my hand and tell me "come with me, trust me, everything is gonna be alright."
I just wish someone whom whispers in my ears that even if the world is so complicated, there will always be a place for me to lay down when I get to see her.
I just wish someone who knows me so well that when I send her any message, she will always answer "where do I meet you?"
Where do I meet you?...
Or how can I open up your eyes?...

Wednesday, November 23, 2011

Estantes de Madeira

Fico olhando para o meu quarto, conversando com essas paredes, quando finalmente estou cansado o suficiente de cansar elas, não posso deixar de perceber as estantes aqui penduradas, tão melancólicas as estantes de madeira. Possuem tantos artefatos, tantas peças, foram essas as peças que moldaram tudo. Agora, ficam aí, paradas, sem ninguém brincando com elas, quem conseguiria?
As paredes expostas, os tijolos à mostra. Parecem tão fixos, tão seguros, mas logo que um aroma me embriaga, vejo que quem estava fixo era o meu olhar. As paredes, bem empilhadas, são docemente frágeis, convidativas a serem repuxadas, remendadas, redesenhadas e até derrubadas. Parecem aguardar outro tijolo, ansiosas para saber se desequilibrarão ou se sustentarão. Mas o aroma não vinha delas.
O aroma percorria aquele quarto e parecia algo como uma aurora boreal, não tinha como explicar. Era tênue, distante, aconchegante, asfixiante aquecedor. De repente, reparei que o cheiro vinha de uma gaveta do armário.
Nossa, quantas roupas! As fantasias se misturavam com figurinos, os casacos estavam cercados pelas bermudas, as cuecas perdiam a luta para as meias, que as sufocavam. Em alguns cantos ainda havia um óculos ou um macacão ou uma gravata, essas coisas todas que o espelho já disse que existiu. E, naquela única gaveta, estava a fonte dos cheiros.
Revelava-se uma pequena boneca de pano, dessas que a cabeça é feita de porcelana e o rosto é pintado - com o necessário cuidado para querela se torne amável em vez de assustadora.
Cada vez que se apertava, quer fosse eu, quer fosse o vento, ela deixava escapar de si uma cor, uma tonalidade de fragrância tão bela e, às vezes, tão delicada, que se me descuidasse, tudo me fugia e de inebriado, passava a me sentir ébrio e tonto. Tonto pela vontade de ser aturdido outra vez.
E, como se bailasse, me vi diante da cabeceira. Se não tivesse aprendido o mínimo de lógica possível, diria que parecia maior que o quarto. Havia uns porta-retratos sobre aquela peça rústica; neles, fotos facilmente reconhecíveis e três possuíam destaque dentre todos, estavam no centro e, pelo tamanho, pareciam levitar. Ágape.
Sabe, acontece que funciona assim, primeiro vemos as fotos, as fotos trazem seus vídeos. As pessoas importantes ficam guardadas em nossos quartos, sou do tempo que ainda se guardavam as pessoas em VCR, e o interessante é que algumas ficaram guardadas tanto em VCR como em DVD. Claro que há aquelas muitas que juntas com outros tantos cabem em um CD ou, no máximo, em um pen drive.
Dentro daquela cômoda estavam caixas e mais caixas, albúns e mais albúns, todos recheados de tantas imagens e cada imagem recheada de tanta coisa. Se o tempo parasse não daria tempo suficiente de ver tudo como devia ser visto, ouvir tudo como devia ser ouvido, falar tudo como devia ser falado, porque é assim que deve ser. O tempo todo não dá tempo nenhum.
Revirei aquelas caixas e encontrei mais coisas do que poderia pensar que ainda encontraria, quando já cansado de tanto beber vinhos, licores, sucos, cachaças e águas, fui recostando meu dorso de leve na macia cama do meu lado.
Já de olhos fechados, ouvi engrenagens se mexendo e os ponteiros mexendo comigo. Davam incômodas cutucadas. Tentava ignorar, mas é difícil depois que você se angustia. Sabia como me confortar, mas não queria, não deveria, ou deveria?
Abri meu olhos, voltei a cômoda, sem sair da cama abri as suas gavetas, procurei pelos cantos, pelas frestas. Sabia. Voltei-me para os poucos retratos sobre o móvel.
Lá estava aquele porta-retrato. Deitado para baixo. Ficou assim por tanto tempo que se acostumou. Levantei-o e fui tragado, era uma maré e eu um pobre barco. Esparramado por aquele mar, naquele mar me sinto tranquilo, como se o mundo fosse dar certo. Descrevia cada onda que me acertava, não por conhecer todas ou serem todas iguais, mas por não me cansar de assistir desde o momento que elas começavam a surgir até a arrebentação.
Algumas vezes, deixava de assistir por motivo que não sei explicar, noutras perdurava noites pelas coxias, ouvindo aquela peça sem poder ver e torcendo para que cada movimento desse certo.
Ganhava força para continuar. Sabia que acordaria mais feliz - não haveria palavra na língua portuguesa para descrever melhor.
Finalmente piscava, me despedia daqueles olhos em silêncio. Silêncio por não saber o que falar, silêncio por pensar que a maré poderia parar.
Silêncio por ter medo. 
E, por ter medo, recosto o porta-retratos, até o nosso próximo encontro - quem saberia dizer quando?
Fecho os olhos. Respiro fundo. Na minha confusão, sei que entendo o que aconteceu. Na minha confusão, me silencio, me tormento, me acalmo e me delicio.
Amanhã será um belo dia.

Thursday, October 27, 2011

Aniversário

Acabei aprendendo que um aniversário é um momento muito especial, um momento que é feito para você tentar reunir as pessoas que você gosta em um local que você gosta. É um momento para você deixar seu cotidiano mais leve e suave, seu micromundo com um pouco mais de paz e seu amor bem pertinho.
Afinal, existe algo mais confortante, mais aquecedor do que o colo da pessoa amada? É algo como mágica, o tanto de amor e cuidado que você deposita naquela pessoa só faz aqueles braços ficarem mais gostosos. E, como num passe de mágica, aquele abraço faz o seu mundo ficar seguro. Parece que, de fato, todos os seus dias ficam com o cotidiano mais leve e suave, seu micromundo fica com um pouco mais de paz, isso só porque o seu amor está bem pertinho.
O aniversário é aquele dia para você receber surpresas ou até fingir receber surpresas - afinal, há algo melhor que isso? E, quando se pensa mais uma vez nessa pessoinha que é capaz de colorir todo o seu mundo, lá está ela, te vendo de longe curtir aquele momento com seus mais verdadeiros amigos do lado. Lá está ela com a surpresa que talvez você nem saiba que gostaria de receber, mas que é a que você mais vai curtir, mais vai lembrar para o resto da vida.
Todo livro merece uma dedicatória, puxa, mas seria muito legal ver o que vai passando na mente de cada pessoa que escreveu cada dedicatória. Poder guardar a lembrança de como aquele rosto tão familiar, tão seu, tão feito para você, está se comportando enquanto mergulha dentro daquelas palavras só para dizer o quanto te ama.

Era algo assim que eu queria dizer, pena que você não lerá.
Mas tudo bem, hoje você tá tentando comemorar seu aniversário. Que bom que todos os seus amigos estão com você...

Um grande beijo.

Monday, April 11, 2011

Mulheres...

Há uma mulher... Bem, não é uma mulher qualquer, é uma mulher especial. Uma mulher sobre a qual deposito toda a minha esperança.
Faço o meu cotidiano mais agradável, me esforço para falar "agradecido", busco o jeito de certo tomar minhas atitudes, me esforço para ser melhor filho, confidente e amigo, para nunca trair meus pensamentos, ou deixar que meus pensamentos traiam as minhas ações, tudo por ela.
Caminho sempre pensando nela, pensando em como quero fazer as coisas por ela, como quero fazer a coisa certa por ela. Parece até bobeira que me esforce tanto por uma só mulher. Mas como poderia ser diferente?
Até há quem faça diferente, mas não se pode negar que se esse tipo de pessoa for atento, em alguma hora vai se pegar fazendo alguma coisa para ela - ou, pelo menos, num momento de raiva ou tristeza, estará pensando nela.
É estranho nos dedicarmos tanto a uma só mulher. 
Não sei ao certo se é paixão, desconfiança ou apego, no entanto é um "je ne ces't quoi" bem forte que me deixa atordoado, que me deixa paralisado ao pensar que um dia ela vai me deixar, que um dia ela vai sumir de mim. Será que vai?...
Mas, afinal, por que as mulheres fazem isso conosco? 
Sabe, essa mulher tem um jeito todo seu de ser misteriosa, charmosa. Enlouqueço pensando nas suas curvas, pensando em até onde essas curvas podem me levar, mas são os olhos que me fazem, de fato, perder a sanidade. Como será que é o fundo dos olhos dela? Será que eu saberei?
Sua boca me convida algumas noites para dançarmos, me convida a beijos intermináveis... e, como na consequência natural, me faz deitar e então deleitar o prazer que ela me dá.
E, como se nada tivesse acontecido, como se nada eu tivesse feito por ela, como se ela nunca houvesse sido minha amante, ela me abandona. Parece nem se importar com as lágrimas que eu deixo escorrer, fica assistindo minhas aflições e nem mesmo me estende os braços.
Fico pensando o que posso ter feito de errado para ela fazer isso comigo, me esforço para pensar no passado mas vejo só coisas tão pequenas.
Acho que o problema é que eu continuo fazendo tudo por essa mulher, o problema é que eu continuo enxergando a vida como uma mulher. Continuo pensando que a vida é uma pessoa, e, como tal, irá reagir às minhas ações.
No entanto, não importa o que eu faça, a vida não responde a atos. A vida não pode ser culpada por nada, nem pela minha felicidade, muito menos pela solidão, que tanto me incomoda. A vida é só uma palavra, não é uma mulher.
Agora, só me falta acreditar nisso.

Saturday, April 09, 2011

Muito bobo...

Sozinho

Surrealismo? Será que a dúvida é emblema do surreal?
Acho que Rafael não sabia o que era surreal.
Rafael se viu diante de um dilema, um dilema que era impassível de solução na sua jovem mente. Como podia o coração balançar por duas garotas? Como podia ele dizer uma coisa e sentir um aperto tão forte no peito que ele não seria capaz de imaginar?
Rafael havia já se acostumado, já estava certo do que queria quando a vida resolveu chegar e atrapalhar seus planos, como ele ficaria sabendo depois da famosa frase - afinal, todos sabem que encarcerar a vida em um corpo humano é apenas a nossa fuga do... da...
Como pode a certeza se misturar tanto com todo o resto? Às vezes, fico me perguntando o que é de verdade mesmo. Rafael concluiu que a verdade nada mais era do que a mentira que contamos a nós mesmos até que faça algum sentido, e, se não fizer, não nos importamos - a crença não precisa de certeza.
Como não basta a lágrima para fazer o choro, não seria jamais suficiente dúvida para formar o caos.
Bem, o caos... Quando perguntado sobre o caos, ele gaguejava até balbuciar palavras, balbuciava até pronunciar sons guturais, mas a resposta, nem mesmo filosofar sobre o caos que lhe passava, ele era capaz.
Portanto, o caos virou uma lista de papéis assinados sem direção certa, uma lista de palavras que queriam ser ditas sem boca que as pronunciasse.
Os olhos, janelas da alma, delatores das mentiras mais bem forjadas - por isso, o palco é tão distante da platéia - nunca deixam passar em branco uma só expressão.
O problema é que tudo que é mostrado depende de que alguém perceba.
Rafael, em tanta dúvida, em tanto caos, não sabia de fato como desenrolar a situação. O problema era que não dependia dele.
Pobre Rafael, homens são assim... talvez só os românticos.
Rafael esperava que alguém fosse se mostrar seu forte seguro. Esperava que alguém lhe estendesse a mão e dissesse confia em mim, só quero a felicidade.
Rafael esperou em vão.
Afinal, de um lado suas conversas deixaram de existir e do outro lado ele se descobriu colocado de lado, traído e ignorado.
Rafa era só um menino em busca de... daquilo lá, qual o nome daquele negócio?
Deixa para lá. No fim das contas, o que interessa é que Rafael achou surreal o que se diz ser tão diferente do que se faz.

"Agora
uma enorme paixão me devora.
A alegria partiu, foi embora.
Não sei viver sem teu amor.
Sozinho curto a minha dor."

Muito bobo...

Sozinho

Surrealismo? Será que a dúvida é emblema do surreal?
Acho que Rafael não sabia o que era surreal.
Rafael se viu diante de um dilema, um dilema que era impassível de solução na sua jovem mente. Como podia o coração balançar por duas garotas? Como podia ele dizer uma coisa e sentir um aperto tão forte no peito que ele não seria capaz de imaginar?
Rafael havia já se acostumado, já estava certo do que queria quando a vida resolveu chegar e atrapalhar seus planos, como ele ficaria sabendo depois da famosa frase - afinal, todos sabem que encarcerar a vida em um corpo humano é apenas a nossa fuga do... da...
Como pode a certeza se misturar tanto com todo o resto? Às vezes, fico me perguntando o que é de verdade mesmo. Rafael concluiu que a verdade nada mais era do que a mentira que contamos a nós mesmos até que faça algum sentido, e, se não fizer, não nos importamos - a crença não precisa de certeza.
Como não basta a lágrima para fazer o choro, não seria jamais suficiente dúvida para formar o caos.
Bem, o caos... Quando perguntado sobre o caos, ele gaguejava até balbuciar palavras, balbuciava até pronunciar sons guturais, mas a resposta, nem mesmo filosofar sobre o caos que lhe passava, ele era capaz.
Portanto, o caos virou uma lista de papéis assinados sem direção certa, uma lista de palavras que queriam ser ditas sem boca que as pronunciasse.
Os olhos, janelas da alma, delatores das mentiras mais bem forjadas - por isso, o palco é tão distante da platéia - nunca deixam passar em branco uma só expressão.
O problema é que tudo que é mostrado depende de que alguém perceba.
Rafael, em tanta dúvida, em tanto caos, não sabia de fato como desenrolar a situação. O problema era que não dependia dele.
Pobre Rafael, homens são assim... talvez só os românticos.
Rafael esperava que alguém fosse se mostrar seu forte seguro. Esperava que alguém lhe estendesse a mão e dissesse confia em mim, só quero a felicidade.
Rafael esperou em vão.
Afinal, de um lado suas conversas deixaram de existir e do outro lado ele se descobriu colocado de lado, traído e ignorado.
Rafa era só um menino em busca de... daquilo lá, qual o nome daquele negócio?
Deixa para lá. No fim das contas, o que interessa é que Rafael achou surreal o que se diz ser tão diferente do que se faz.

"Agora
uma enorme paixão me devora.
A alegria partiu, foi embora.
Não sei viver sem teu amor.
Sozinho curto a minha dor."

Muito bobo...

Sozinho

Surrealismo? Será que a dúvida é emblema do surreal?
Acho que Rafael não sabia o que era surreal.
Rafael se viu diante de um dilema, um dilema que era impassível de solução na sua jovem mente. Como podia o coração balançar por duas garotas? Como podia ele dizer uma coisa e sentir um aperto tão forte no peito que ele não seria capaz de imaginar?
Rafael havia já se acostumado, já estava certo do que queria quando a vida resolveu chegar e atrapalhar seus planos, como ele ficaria sabendo depois da famosa frase - afinal, todos sabem que encarcerar a vida em um corpo humano é apenas a nossa fuga do... da...
Como pode a certeza se misturar tanto com todo o resto? Às vezes, fico me perguntando o que é de verdade mesmo. Rafael concluiu que a verdade nada mais era do que a mentira que contamos a nós mesmos até que faça algum sentido, e, se não fizer, não nos importamos - a crença não precisa de certeza.
Como não basta a lágrima para fazer o choro, não seria jamais suficiente dúvida para formar o caos.
Bem, o caos... Quando perguntado sobre o caos, ele gaguejava até balbuciar palavras, balbuciava até pronunciar sons guturais, mas a resposta, nem mesmo filosofar sobre o caos que lhe passava, ele era capaz.
Portanto, o caos virou uma lista de papéis assinados sem direção certa, uma lista de palavras que queriam ser ditas sem boca que as pronunciasse.
Os olhos, janelas da alma, delatores das mentiras mais bem forjadas - por isso, o palco é tão distante da platéia - nunca deixam passar em branco uma só expressão.
O problema é que tudo que é mostrado depende de que alguém perceba.
Rafael, em tanta dúvida, em tanto caos, não sabia de fato como desenrolar a situação. O problema era que não dependia dele.
Pobre Rafael, homens são assim... talvez só os românticos.
Rafael esperava que alguém fosse se mostrar seu forte seguro. Esperava que alguém lhe estendesse a mão e dissesse confia em mim, só quero a felicidade.
Rafael esperou em vão.
Afinal, de um lado suas conversas deixaram de existir e do outro lado ele se descobriu colocado de lado, traído e ignorado.
Rafa era só um menino em busca de... daquilo lá, qual o nome daquele negócio?
Deixa para lá. No fim das contas, o que interessa é que Rafael achou surreal o que se diz ser tão diferente do que se faz.

"Agora
uma enorme paixão me devora.
A alegria partiu, foi embora.
Não sei viver sem teu amor.
Sozinho curto a minha dor."

Monday, April 04, 2011

Desabafo II - o último com eu-eu-lírico (?)

Tanta correria a minha volta. Tanta gente batendo cabeça. Tanta gente batendo com a cabeça na parede.
Todo dia, tento buscar um pouco mais de calma para a minha vida, não precisa ser aquela calma cheia de sono, só quero aquela que me mantenha centrado o suficiente para aproveitar os meus trabalhos.
Quero me dar bem com o cansaço, me dar bem com o tanto que eu faço. Se puder chegar exausto ao fim de cada dia, porém tendo aproveitado cada experiência que tive, vou ficar feliz. Acho que já me cansei do estresse - próprio e alheio. Fico até meio triste quando vejo que meus amigos ainda estão realizando seus trabalhos sem aproveitar os momentos ao longo do dia, será que não percebem que isso só é ruim a eles mesmos? Afinal, existe alguma pessoa que seja convencida de um erro ou incentivada a fazer algo a partir dos gritos de outra? Ou será que existe mais alguém que se importe - de verdade, de verdade mesmo - com o tanto que você se estressou e se irritou com algo, além de você mesmo?
Sabe, ainda fico estressado com o trânsito, mas sempre me dou bronca; ainda fico irritado quando perco minhas coisas, nisso ainda não consigo me controlar; mas acho que estou ficando mais sereno.
Andam me falando que a única maneira de prevenir todas as doenças é levando uma vida tranqüila, com bons hábitos alimentares e filtro solar - sobre isso, até gravaram uma musiquinha. Bem, como isso é possível com o trabalho, com os estudos, com as responsabilidades que nós temos? Como isso é possível com o nosso modelo político de vida?
Não sei direito a resposta, mas não quero morrer cedo, não quero já começar a prejudicar a minha relação com meus futuros filhos, não quero sofrer com uma doença qualquer, não quero me arrepender do tempo que perdi arrancando meus cabelos, não quero ficar xingando os outros, não quero me aposentar porque não agüento mais essa merda, não quero gritar com os ouvidos alheios e com minha própria mente.
Bem, por tudo isso e muito mais, acho que posso tentar alguma coisa, né?

"Não há duvidas que as dificuldades existam. Porém, a nossa capacidade só existe através dos nossos atos."
(gostei muito dessa frase, ando a levando no meu bolso)

Thursday, March 10, 2011

Desabafo

Tentamos de tudo para compreender esse mundo, tentamos absolutamente tudo cotidianamente. E, quando não conseguimos entender, criamos um apêndice ao nosso conhecimento que não explica nada, mas satisfaz nossa necessidade de padrões.
Afinal, qual a nossa explicação para o número divino, para a vida, para a origem do pensamento humano, para o que havia antes do big bang, para nossos sentimentos?
E (nossa!) como nos gabamos do nosso conhecimento, somos desde a raça mais evoluída até a pessoa mais bem indicada para aquele trabalho; somos desde o filho mal compreendido até o exemplar notório da sociedade humana.
Engraçado ter tanta soberba.
Estruturamos todas as maravilhas que a ciência da engenharia moderna criou sobre os preceitos básicos da física.
Mas tinha um besouro no meio do caminho, no meio do caminho tinha um besouro.
Apesar de a física dizer que seria impossível o besouro voar, assistimos esse insetinho voar; algo com que o ser humano anseia ser capaz desde antes de Ícaro, mas parece que a gente não sabe voar também. O que fazemos diante dessa incoerência? Fácil. Ignoramos o besouro.
Ora, foram décadas formadoras de séculos integrantes de milênios até o ser humano conseguir construir nossas poderosas máquinas, não será um insetinho que vai nos dizer "opa, vocês erraram" - se ao menos fosse um coroa judeu que fuma cachimbo, depois de uns pequenos desméritos, até poderíamos considerar nosso deslize, jamais nosso erro.
Bem... mas se tem tanta coisa por aí que não faz o menor sentido, quem sou para ficar apurrinhando meu coração. Deixa ele batendo, afinal me disseram na faculdade que ele tem uma coisinha que faz ele tuntar independente da cabeça - os franceses chegaram a relatar até que os corações ficavam batendo um tempo após a decapitação dos revolucionários mais apaixonados.
As discussões políticas, os livros de filosofia e literatura, as reuniões, os livros de faculdade, a curiosidade pelo conhecimento, as peças de teatro e as pessoas continuam se criando na minha vida e nada disso me fez perder meu tempo passado para ficar planejando.
Planejo a felicidade e as "bare necessities" (Mogli), o resto é a vida que vai acontecendo.
Ah, mas se puder, Deus, me lembra de quando em vez de deixar a soberba sobre a qual estava falando lá em cima ficar lá para trás. É que essa coisa de desabafar confunde a gente, né?...

Tuesday, March 01, 2011

História popular


Hoje, conversei com pessoas vivas, estudei em corpos mortos e vi a miséria de uma criança me pedir comida. Quantas histórias há por trás dessas vidas, dessas minúsculas existências para o universo, mas tão gigantes para cada um deles.
Com o paciente, conversei e ouvi sua história para aprender a ajudá-lo; aos corpos mortos, deixo meus agradecimentos pois irão ajudar a socorrer tantos vivos; junto com a criança vai minha tristeza pois não há comida que eu dê que seja capaz de dar vida aquela pequena criatura - que ainda será tão maltratada pelo mundo.
Busco-me pela medicina pois é por lá que vou achando meu coração, é por lá que de alguma forma me acho mais próximo da humanidade e com mais humanidade, é por lá que me vejo cada vez mais distante da minha soberba, da minha discriminação, da minha raiva, da minha pretensão, da minha sabedoria. A medicina me mostra como sou pequeno, frágil e incompetente, me ensina como eu preciso de bons amigos, de momentos de silêncio e fala, de dias de choro e riso, de horas de silêncio e canção.
Bobo é aquele que passa pelas salas de aula sem prestar atenção na vida que pode entrar em sua alma. Não há anel de formatura que valha mais que a vida de alguém.
Com tudo isso em mente, com tudo isso no meu peito, me exacerba a felicidade, o bem-estar por ser incompleto e querer ser maior que o meu corpo, mais longo que o meu tempo, mais dedicado que minha necessidade social permite. Ainda assim, me falta um grito que meu coração precisava gritar, um suspiro que meus olhos gostariam de dar; mas me calo. Não pela soberba ou bobeira, pois isso deixei para trás quando comecei a me conhecer.
Calo-me pelo medo de ter medo de o futuro fugir ao meu desejo; calo-me pois o silêncio que pronuncio impede que sons tão ríspidos me derrubem.
Acho que quando alma sem corpo escolhi nascer carioca para falar o português brasileiro do tipo carioquês. Ora, que outra língua seria mais completa, mais bela, mais cheia de figuras que essa? Tenho tantas palavras e combinações para usar que mal preciso tomar fôlego a cada digitada.
Mas acho que da próxima vez - torço para que haja pois ainda quero fazer muito - venho com uma língua diferente.
Não imaginava que eu pudesse despencar tanto e por tanto tempo com poucas palavras de português. Essa língua era para "ser como um canto de passarinho".
Quem diria que após ler tanto de tantos livros - médicos ou não -, falar com tantas pessoas, passar por tantas experiências, criar tantas idéias, achar tantas respostas... quem diria que o português me faltaria para dizer:
Saudades de você, não imagina a falta que o seu rosto me faz. Espero que esteja feliz. Vou bem. Espero por você. Seja como for, espero por você.

Tuesday, December 28, 2010

Meus dois músicos brasileiros vivos favoritos: Nando Rei e O Teatro Mágico.
Só para dizer...

"Olhe bem no fundo dos meus olhos
E sinta a emoção que nascerá
Quando você me olhar.

Desculpe,
Estou um pouco atrasado
Mas espero que ainda dê tempo...

Por onde andei
Enquanto você me procurava?
Será que eu sei
Que você é mesmo
Tudo aquilo que me faltava?

O sonho parece verdade
Quando a gente
Esquece de acordar

Quando o tempo não passar, dentro de nós
Cada hora é como uma semana,
Cada novo alô é mais bacana,
Cada carta que eu nunca recebo
É sempre um motivo pra lembrar,
Sou tão perto de você...

O universo conspira a nosso favor
A conseqüência do destino é o amor,
Pra sempre vou te amar.
Mas, talvez, você não entenda
Essa coisa de fazer o mundo acreditar
Que meu amor, não será passageiro,
Te amarei de janeiro a janeiro,
Até o mundo acabar

Espero que o tempo passe,
Espero que a semana acabe,
Pra que eu possa te ver de novo...
Espero que o tempo voe,
Para que você retorne,
Pra que eu possa te abraçar...
Quando alguém se machuca, dentro de nós
Toda culpa parece resposta,
Nossa busca não parece nossa.
Quando a paz se anunciar, dentro de nós
É porque aquilo que nos cega
Mostra um outro lado para a moeda,
Que não apaga as coisas do meu peito.
O preço é me fazer acreditar,
Sou tão perto de você

Sobra tanto espaço
Dentro do abraço,
Falta tanta coisa pra dizer
Que nunca consigo..."

Sunday, November 07, 2010

Em memória.

Já perguntei para Deus muitas vezes o que seria justiça? O que seria justo? Afinal, vejo tantas coisas acontecerem da forma errada... Ele ainda não me respondeu, mas espero que esteja ouvindo minhas preces...

Há quase dois anos atrás, chegávamos na Faculdade de cabeça erguida.

Passamos para Medicina!

Passamos para a UFF!

Aos poucos, fomos nos conhecendo, somos 80 alunos e isso leva algum tempo para acontecer. Aprendemos os trejeitos, manias e frescuras de cada um. Formamos nossos grupos de afinidade e, ainda que com tanta diversidade, fizemos uma turma unida. Resolvemos então nos batizar de Caldeirão – mal sabíamos o significado que esse nome tomaria.

Desse grupo de alunos, me cabe, infelizmente, falar de uma em especial.

Há mais ou menos um ano atrás, nossa companheira de sala XX descobriu possuir uma das mais temidas doenças que nós vamos estudar, o câncer. Exaustivamente vamos falar sobre formas e mais formas de câncer só para descobrir nossa pequenez, nossa incapacidade diante de tantas formas de sofrimento humano.

Hoje, vi pessoas perdidas, ou melhor, imersas em emoções após saberem da notícia do falecimento da Alessandra. Essa tristeza, pronunciada em lágrimas e passos desaprumados, deve ser revisitada só para que lembremos seu motivo de existir...



Somos como quadros de Picasso, rostos e corpos sem uma forma muito bem definida, almas que se completam com cada pessoa que passa pela nossa vida. Como fractais, essas pessoas que rabiscam a nossa existência são capazes, se tivermos sorte, de nos deixar uma memória, uma importância e uma necessidade infinita.

Não duvido em nenhum instante que a XX tenha feito isso com inúmeras pessoas que passaram por sua vida.



Enquanto suas amigas ajudavam a chuva que caia do céu a ter mais água quando chegasse ao chão, percebi mais uma vez como é triste a perda... O que se deve falar nesse momento?... Meus pêsames?... Se não sei reagir diante dessas amigas, o que poderia dizer para a mãe ou qualquer outra pessoa tão importante?...

Bem, não há muito que se possa dizer, às vezes a ordem da despedida é alterada e não conseguimos fazer nada além de desabar em braços que esperamos que nos agüentem.

Porém, foi vendo o pranto daquelas meninas que percebi, além da tristeza, a beleza.

Havia naquele choro a beleza do cuidado, a beleza da fraternidade, a beleza do amor. Sem dúvida, havia uma paixão incontrolável, que misturada com sal e água, se faz passar por tristeza somente. Mas o motivo daquele choro não era a dor, o motivo daquele choro era algo muito maior, muito mais significativo. A dor vai embora, afinal, quantas vezes já nos machucamos? O que nos faz de fato fracos para a despedida é o amor...

Por isso, queria escrever algo hoje... queria lembrar àqueles que choraram e chorarão que se sentem uma dor angustiante, é porque vocês amam demais. É esse amor que imprimirá nos seus peitos a saudade. E é essa saudade que eternizará a nossa companheira.



Se nos fizemos um Caldeirão é só porque é preciso uma panela gigante para abranger tantas personalidades, tanto companheirismo. Na lista de ingredientes imersos nessa caldeira, agora faltará um. Mas, como com o sal, só uma pitada de alguns ingredientes é suficiente para fazer do gosto algo completamente único.

Levaremos para frente o nome de nossa amiga XX e lembraremos de guardar um lugar para ela junto aos primeiros bancos daqui a quatro anos.

Hoje, minha prece é para que haja paz para essa menina, independente do que isso quer dizer para cada um, e para que haja força e calma para aqueles que agora possuem o amor e a saudade em seus peitos.





Que as lágrimas não nos enganem...


Monday, October 04, 2010

"Senti sua falta
Antes de saber
Que era você
O lugar pra me esconder"

"Quando não estás aqui
Meu espírito se perde
Voa longe"

Sem título

I
A menina rabiscava papéis
A menina batia teclas
Contos cantados ou não
Faziam suas janelas ficarem encortinadas
Por que se deixaria um quadro para trás
Não entendia
Se se podia caminhar em pares
Por que partes partem
E portas batem
O caderno lhe restava
O caderno como um soldado
Guardava seu palácio
Um castelo de emoções
Tão sensíveis que era como de cartas
Caía e levantava toda hora
Mas o baralho não era mesmo
Mas o barulho não era o mesmo
Pobre do caderno suas folhas
Choradas chamavam sem vós
O bobo sentia falta da fada
Sua boca costurada pelo
Orgulho infantil ou medo adulto
Murmurava fantasias
Ela nada escutava

II
Como o motorista pode imaginar
Bater de frente ao ultrapassar
Cada um em sua via
Não se via, não se assobia
Enquanto não se está
Mas quando se volta
Não se deixa um adeus jamais
Pois a raposa te lembra da
Verdade adormecida tempos atrás
Se chocaram e assim
Chocaram um ovo
Guardando algo que a
Língua se enrola ao falar

III
O arlequino esperava
Dava fio ao tempo
A aflição era só porque sabia que
O fio é um só e a
Qualquer hora uma das três velhacas
Podem-no cortar
Respirava diante do espelho
Jamais embaçava sua imagem
Queria ser visto só pelas verdades
Guardara aquele local
Guardara aquele sol
Guadara aquela entrega
Tudo para ela
Guardara sem nunca cogitar mencionar
Mas quando era sua a fala
Viu a antiga mala
Cheia de blusas, mudas
Surda
Cega
Sem ser muda
Ela falava ao léu - se fosse a um Léo
Causaria menos estrago
Talvez

IV
Não esperava tanto cacau
O doce era para ser doce
Pena a realidade não
Realiza tudo que precisa
Entre tanto que se sentia
Algo ardia e algo
Entretanto sorria
Se não era o que se queria
A pretensão ainda não espantava
O encanto que havia
Naqueles dois
Por magia o sorriso arlequino
Brotava sem mascarar
Seu nariz já sentia o sereno
Mas a boca não se importava
Pois para ela aqueles dois
Em um só se conjugava
Não importava como
O nós era natural
Um pedido que
Aquelas almas faziam ansiavam queriam sentiam

V
Calma.
Se olha no espelho.
Calma.

Tuesday, August 17, 2010

Em postos de saúde, algumas coisas fazem sua mente rodar...

"Aspire os meus erros e os jogue fora
Limpe os vestígios, lustre os absurdos
Com esforço, talvez se tornem glórias" (Poema da Batalha - Transmissor)


Sabe aquela pessoa que construiu tantos momentos na sua vida? Sabe aquela pessoa que te dá colo enquanto vocês estão deitados só com uma leve luz acesa? Sabe aquela pessoa que te abraça tão firme que você ganha coragem para qualquer coisa? Sabe aquela pessoa que entrelaça teu estômago quando dá um nó na tua mão? Sabe aquela pessoa que acerta a surpresa que você adoraria ter de aniversário? Sabe aquela pessoa que desistiu de momentos sozinhos só para estar com você? Sabe aquela pessoa que acordou de madrugada e correu até sua casa só porque você ligou soluçando? Sabe aquela pessoa que não te deixa dormir com a cara amarrada? Sabe aquela pessoa que te disse para fazer aquilo que fazia suas pernas tremerem? Sabe aquela pessoa que te viu gritar quando você passou no vestibular - e gritou junto? Sabe aquela pessoa que fazia seu almoço enquanto você fazia um trabalho? Sabe aquela pessoa que dá o braço a torcer só para te fazer sorrir? Sabe aquela pessoa que te chama para dançar quando toca uma música boa no rádio? Sabe aquela pessoa que não se importa de chorar na sua frente? Então, doutor... sabe quando ela pára de fazer isso? O que é que eu faço?

Sunday, July 11, 2010

"My love is so articulate
My heart is such a mess"

Escolhas

Ainda hoje pensarei
Mais uma vez em você

Olho no espelho
Para não ter que me virar
Encarar o passado
Sou covarde
Por ser confuso

Olho no espelho
Tudo atrás de mim
Vejo embaçado
Estou sem óculos
Não acho que fariam diferença
Bambeio dentro de mim

O espelho me diz
Para sentir
Não tenho resposta
Apago as luzes
Corro

Corro em direção
A alguma coisa
Que dê à minha aflição
Morte súbita
Que a troque por outro
Tipo de angústia

Enquanto a luz clareia
Minha visão fica em penumbra

Uma foto a mais
Se faz

Tolice
Achar saber algo
Tolice
Achar que tudo se encaixa
Tolice
Achar que uma mão
Te dará a
Firmeza para o coração
Tolice
Enfim, tolice...

Se a mão não
Se estende
A firmeza
Se cria
Se os olhos se nublam

Tuesday, June 22, 2010

Durante um conversa na Faculdade...

- Pensa em um momento bom da sua vida e me diz alguma coisa que está nele.
- Um ônibus.
- Uma faixa etária.
- 19, 20 anos.

O ônibus (trechos)

Talvez, nos forcem a ir para a escola somente para que convivamos com outras pessoas além da nossa família. Afinal, são tantas coisas que aprendemos para não usar, nem sequer lembramos de tantas outras.
Bem, Pedro não sabia ao certo por que acordava todo dia às cinco horas e trinta minutos da manhã, mas fazia isso há tanto tempo e tantos o mandavam continuar fazendo que mantinha seu hábito.
Seus sonhos sempre terminavam com um grande terremoto. Conforme seus olhos se abriam via aquela mãe (impiedosa) o balançando e dizendo "Deus ajuda quem cedo madruga!" Ainda sem forças para dizer qualquer coisa, só pensava "Deus... humpf!" Ora, se Deus quisesse que acordássemos tão cedo assim teria feito alguma coisa dentro de nós para que nos colocássemos de pé assim que o sol encostasse em nossas pálpebras. Mas logo após se desculpar com o do andar de cima, dirigia seus xingamentos a Getúlio e se punha de pé.
Enquanto tropeçava em móveis da casa , se dirigia ao banheiro e abria chuveiro. Ah, agora sim começou o dia! Seus olhos estavam abertos e não mais levaria sua canela até a fria madeira daquelas mesinhas, cômodas e cama enquanto caminhava de volta para o quarto.
Vestindo sua roupa, ouvia sua mãe gritar que ele havia molhado a casa inteira. Gostava de implicar com ela e depois roubar-lhe um beijo e um abraço antes de ela - com um sorriso de dois andares - reclamar de seu bafo matinal.
Já atrasado, corria de volta ao banheiro, escovava seus dentes e se perfumava para sair correndo de casa e ver o ônibus ao longe se aproximando de seu ponto de parada. Era esse pedaço da manhã que ele mais gostava. Respirava fundo e dava um último pique na sua corrida para alcançar o ponto e já arfando e estendia o braço. Agora era Pedro quem abria um sorriso enorme. Desejava um bom dia ao motorista e passava pela roleta antes de alcançar com os olhos outro grande sorriso estampado em um rosto.
"Sempre chega suado, garoto..." era o que Júlia lhe dizia a cada dia de um jeitinho diferente. Ela nem estudava com ele, mas se conheceram por acaso em um dia chuvoso - sempre se deve andar com um guarda chuva, dizia sua mãe - e desde então conversavam durante seus caminhos cotidianos, já que seus pontos de parada não eram muito distantes.
É... definitivamente, a escola serve para nos fazer conhecer outras pessoas...
A conversa entre os dois fluia fácil por temas pessoais, filosóficos, capas de jornais e devez em quando Júlia até o ajudava com a maldita matemática. Porém, ao mesmo tempo que as palavras não se continham dentro de suas bocas, e assim sempre queriam o fazer, às vezes os dois se calavam e um estranho silêncio era criado naquele ônibus. Os dois não sabiam ao certo como agir mas logo o balanço do ônibus os punha tão próximos que as palavras se desengasgavam.
Aquele chacoalhar do ônibus era a dança cotidiana dos dois. Provavelmente, não há um casal que dance valsa ou tango todo santo dia, mas há vários que bailam de acordo com os motoristas dos coletivos. Dependendo do motorista, até sambam.
Após ser interrompido por professores, Pedro ajeitava seu cabelo e partia para o pontode ônibus, animado com o reencontro.
Assim seguiam seus meses letivos até que em certa semana Júlia se comportou tão diferente... Pedro não entendeu muito bem o olhar distante de Júlia, parecia tão triste, mas se recusou a falar o motivo daquele silêncio cabisbaixo. Ele tentava de tudo para animar amiga, criava até dúvidas de matemática que ele não tinha. Isso sempre a colocava para cima, mas dessa vez não surtiu efeito...
Foram quatro dias de angústia constante. No último dia da semana, Pedro decidiu se sentar em outro banco. Sem Júlia. Achava que tinha perdido seu charme, tornara-se chato e sem graça para amiga; e o pior era que não entendia o motivo disso. Júlia o olhou distante dela, conterceu o rosto e se sentou ao lado dele. Olharam-se nos olhos e ela disse um "não" tão carinhoso enquanto pegava a mão dele que quebrou todas as defesas que Pedro havia preparado.
Como homens são burros, tudo fazia sentido agora. Aquela mão estava tão quente e nervosa que se sentia até mesmo o coração batendo quando se tocava ela. Só não era possível dizer de quem era essa mão.
Pedro fechou seus olhos e se aproximou de Júlia calculando os segundos que demorariam até que seus lábios se encontrassem. Errou o cálculo. Esquecera que a dança do ônibus os anteciparia. Separaram-se e riram um do outro antes de voltarem a se beijar.